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Por Andréia Regeni
O
sexo, além de praticado, pode ser lido, embora
ainda exista um certo preconceito com este gênero
literal que já consagrou grandes autores, como
Nelson Rodrigues e Hilda Hilst, que acabaram se tornando
grandes referências da literatura.
Mas, verdade seja dita, os contos eróticos,
além de serem deliciosos de serem lidos, são
inspiradores e ajudam a dar aquela apimentada na relação.
Hoje em dia, com a internet, esse tipo de leitura tornou-se
mais acessível e abriu-se o leque de opções.
Há contos para todos os gostos, sejam para gays,
lésbicas, bissexuais, curiosos, casais, ou simplesmente
para quem gosta de uma leitura mais sensorial.
Numa conversa com dois escritores deste gênero,
pudemos saber o que os inspiraram na hora de optar pelo
lado erótico da leitura, (aquela que "realmente
importa" nas horas mais precisas), a visão
que eles têm diante da sociedade, muitas vezes
preconceituosa, e mais algumas confissões bizarras.
Júlio Castañedas, 42, já escreve
há 12 anos, e nos conta uma história inusitada,
sobre como começou esse fascínio pelo
assunto: "Desde os 12 anos, sempre tive um fascínio
pela mulher, o homem e sua troca de instintos como animais.
Então, quando vi um dia sem querer meu pai e
minha mãe praticando o ato sexual, fiquei tão
abismado quanto vislumbrado. Saí procurando tudo
sobre o assunto, livros, filmes. Mas percebia que era
necessário uma certa expansão no gênero,
e foi então que me veio a luz de tratar de temas
como homens com monstros, mulheres com ciborgues e humanos
com eletrodomésticos, por exemplo."
Já Wilson Domeneghetti Monticelli, 21, escreveu
seu primeiro conto partindo de sua própria experiência
"Foi o que eu fiz no meu primeiro conto, tentei
reproduzir algo que já passei".
Júlio se baseia em algo menos pessoal: "Basicamente
temas considerados bizarros pela sociedade e sua imensurável
hipocrisia. Mas estou experimentando um pouco de necrofilia
num novo conto, em que um coveiro se apaixona por uma
cadela poodle que ele enterra e, então decide
depois desenterrá-la e tentar fazer experiências
genéticas para que, com uma relação,
possa fecundar seu óvulo e tirá-lo para
implantar numa cadela viva e assim possa ter um filho
seu".
Porém ambos concordam que a sociedade ainda
é preconceituosa em relação àqueles
que escrevem sobre sexo:
Júlio: "Provavelmente há preconceito
sim, das pessoas hipócritas e ignorantes, apesar
de todos sabermos que existem muitos padres e velhinhas
recatadas viúvas se deliciando com um bom conto
erótico nos cantos ainda vivos e férteis
de sua imaginação. O que não existe
mesmo é espaço para nós, que não
absorvemos porcarias da mídia para vomitar aos
adolescentes que mal sabem como tratar uma garota."
Wilson: "Claro, eu mesmo já passei por
esse tipo de preconceito. As pessoas geralmente acham
que vontades, fantasias e anseios, são coisas
íntimas e restritas. Mas se assim fosse, não
haveria nem a literatura em si."
Como vimos, existem diferentes formas de escrever sobre
sexo e, com toda essa diversidade, ninguém fica
de fora. Você e seu (ua) parceiro (a) podem desfrutar
desse tipo de literatura que a cada dia abrange mais
categorias para agradar os mais variados gostos e fantasias.
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