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O paulistano Mr. B., de 37 anos, esconde por trás de seus títulos de médico psiquiatra e psicoterapeuta mais de três décadas de fixação por formas específicas de sexualidade e suas respectivas expressões.
Ele é conhecido no mundo GLS por criar ilustrações que revelam o nu masculino de forma homoerótica. Suas obras, feitas a partir de imagens escaneadas de livros, revistas, flyers, e Internet mostram pinturas e colagens ligadas ao fetichismo e a exacerbação da luxúria.
Além de publicar sua arte em diversos meios de comunicação para este público, ele ostenta um histórico eclético: é ex-militar, ex-dono de boate, e ministra cursos para pequenas turmas abordando temas como: "Mitologia Grega", "Antroposofia", "Psicologia Analítica", "I-Ching" e "Numerologia Pitagórica".
Junto com este vasto currículo intelectual e artístico, ele também escreve, participa e divulga as práticas sadomasoquistas (que têm como sigla BDSM - Bondage Dominação e Sado-Masoquismo) em suas mais diferentes variações. Gregório, que usa o codinome de Mr. B, considera-se um dominador experiente e realiza suas fantasias por meio de diferentes instrumentos de tortura e objetos de estimulação física.
A imagem clássica do sadismo, para os leigos, é a de uma dominatriz vestida com máscara, espartilho de couro, empunhando um chicote e gritando impropérios aos seus excitados submissos. Porém, nesta entrevista, o médico fetichista, que já experimentou o BDSM de inúmeras maneiras, mostra que esta não é apenas uma fantasia ou excentricidade casual entre quatro paredes: é um estilo de vida no qual a sensação de poder ou sofrimento originam o mais completo hedonismo.
Nomotel: Quando você se interessou pelo sadomasoquismo?
Mr. B: Eu, assim como todos os praticantes de BDSM que conheço, sempre tive uma tendência para este tipo de prática. Lembro-me de fantasias sexuais aos cinco anos de idade que já tinham imagens de correntes, ambientes escuros de pedra e pessoas torturadas. Quando criança gostava muito de infligir dor a mim mesmo: costurando (com agulha e linha) as palmas das mãos ou mordendo meus dedos ou as bochechas. Lembro-me também de provocar cãimbras com posturas forçadas e me excitar com a dor que elas provocavam.
Nomotel: Como foi sua primeira experiência desta natureza?
Mr. B: Como disse sempre houve esta tendência e uma pitada de "hard sex" sempre esteve presente nas minhas transas e em fantasias sexuais. A prática BDSM propriamente dita acabou por se realizar mais francamente na Europa (Suíça, Holanda e Alemanha), quando morei por lá há 15 anos. As primeiras experiências foram em bares Leather (onde roupas de couro são obrigatórias) de Berlin e Amsterdã.
Nomotel: Nestes locais você gostava mais de praticar submissão ou dominação? Por que?
Mr. B: Na verdade gostava e ainda gosto muito das duas situações, mas atualmente acabo sempre assumindo a postura de dominador porque é bem difícil que no Brasil eu encontre alguma pessoa com conhecimentos de práticas e técnicas BDSM e postura à altura de me dominar.
Nomotel: Mesmo com a inexperiência dos praticantes brasileiros em relação aos europeus, você costuma freqüentar locais por aqui onde acontecem reuniões BDSM?
Mr. B: Sim, e não só freqüento, como organizo reuniões, festas e encontros com regularidade.
Nomotel: Como são estes ambientes?
Mr. B: Muito variáveis: há espaços que vão desde ambientes puramente sociais onde há palestras e encontros, até lugares preparados para "play parties" com calabouços equipados com Cruz de Santo André (cruz em forma de X que normalmente inclui argolas para se colocar algemas, e é muito usada para as situações de espancamento), correntes nas paredes, velas, material de tortura, etc. Há também muitos bares Leather com ambiente bastante "trash", que muito me agradam.
Nomotel: Nesses locais é comum que alguns praticantes cobrem por suas performances. Você já pagou pelos serviços de um dominador?
Mr. B: Sim, mas não foi muito satisfatório: foi mais uma tentativa de exercitar meu lado submisso/masoquista no Brasil, mas sem muitos resultados. Pagar por submissos, nunca aconteceu.
Nomotel: Os praticantes costumam fazer sexo após as práticas sadomasoquistas ou o prazer está apenas na dor física?
Mr. B: As práticas e técnicas BDSM não são consideradas sexo? Então o que é considerado sexo? Isto é muito variável! Tanto a penetração pode ocorrer ou não, bem como muitas formas de sexo (oral, manual, etc.) igualmente podem ou não estar presentes. O importante não é a penetração em si, mas a idéia do prazer (como ocorre em qualquer forma de sexo). Do mesmo modo, a dor física também não está sempre presente: há a idéia da humilhação, do exibicionismo/voyeurismo, do fetiche de couro-preto/borracha/metal e rituais góticos. O orgasmo também não é obrigatório (aliás, eu particularmente não faço a mínima questão dele).
Nomotel: Se o orgasmo não é o objetivo principal, como são escolhidos os pares de dominadores e submissos? Por afinidades ideológicas dentro do BDSM ou atração física?
Mr. B: Para começo de conversa não são obrigatoriamente pares: eu, por exemplo, sempre prefiro o sexo grupal (seja no BDSM ou no chamado sexo "baunilha" - sem supervisão de alguém mais experiente ou preparo emocional). A escolha é feita evidentemente de comum acordo e de forma livre. Imagino que tanto afinidades, quanto atrações físicas devam ser levadas em conta no BDSM, assim como em qualquer tipo de sexo, não?
Nomotel: E em termos de técnicas, qual prefere?
Mr. B: Nesta ordem: dominação e tortura psicológicas, liturgia BDSM, hard sex (sexo violento); exibicionismo; nudismo; pet playing (quando um dos participantes usa coleira e se comporta como um cachorro); wax (derramamento de cera quente); bondage (amarração) com correntes; algemas e cadeados - não com cordas, pois não tenho muita paciência para nós -; spanking - surra com chicotes e chibatas, e não com mãos ou chinelos, pois não me excitam -; sufocamento com mão ou máscara de gás, mas não com estrangulamento, que me parece muito perigoso; trampling (pisoteamento com sapatos de saltos finos), dildo playing (jogo com vibradores) e pissing (urinar no parceiro ou ser urinado por outro).
Nomotel: Por quê?
Mr. B: Bem, neste tipo de assunto não há muito porquê, há simplesmente preferência pessoal e tesão.
Saiba mais sobre os trabalhos de Mr. B nos links:
www.homographix.com
www.beautyonline.com.br/bernardodegregorio
http://br.groups.yahoo.com/group/FamiliaMrB
http://br.groups.yahoo.com/group/Mercadodeescravos
http://br.groups.yahoo.com/group/mr_b
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